Provisório Definitivo, o Depósito de Rejeito Radioativo de Goiânia.

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Provisório Definitivo

A função de um depósito de rejeitos é a de manter segregadas substâncias tóxicas ou agressivas por longo tempo, possibilitando a sua degradação, de tal modo que ao voltar para a biosfera não provoque risco inaceitável para os seres vivos.

Evita-se a radiação: a) interpondo-se uma distância adequada entre as fontes radioativas e as populações; b) empregando-se materiais densos e espessos como blindagem; c) reduzindo-se o tempo de exposição. Em laboratórios, hospitais, indústrias, usa-se o ferro e o chumbo.

Para rejeitos, concreto, rochas, solos ou argila. Os raios alfa e ß são facilmente bloqueados por pequenas espessuras de materiais sólidos; mas uma blindagem de 35 cm de espessura de concreto ainda permite a transmissão de 0,00001 das radiações gama do césio 137. A fonte de Goiânia era capaz de produzir uma dose letal de radiação para quem se aproximasse a menos de 1 m por alguns minutos.

O Depósito chamado por eles de Container de Grande Porte (CGP), para diferenciá-lo do depósito dos rejeitos que, de fato, têm potencial de risco, nada mais é do que uma grande caixa de concreto com, aproximadamente, 60 m de comprimento, 16 m de largura e 4,5 m de altura, construído sobre a superfície, coberto com solo local, gramado, tendo a aparência de uma pequena elevação no terreno.

A definição do local e a permissão de construção do depósito final exigiu uma série de análises, incluindo verificação de características geográficas, geológicas, sócio-econômicas, hidrológicas, hidrogeológicas etc. Além do Estudo de Impacto Ambiental (EIA), foi preparado um Relatório de Análise de Segurança (RAS), que avalia as possibilidades de acidente e seus resultados, caracterizando, uma vez mais, a escolha do local e o conceito construtivo do depósito.

O edital de licitação da obra do depósito definitivo foi lançado em 1º de julho de 1988. O coordenador do projeto e da construção do depósito Alfredo Tranjan Filho declarou:

"Além do CGP e do depósito final dos rejeitos do acidente em Goiânia, a área abrigará um centro de informações voltado às comunidades próximas, com programas de educação ambiental, uso da terra, pecuária etc., guardará toda a história do que foi o acidente de Goiânia e sua solução, não permitindo às gerações futuras, diante de uma área verde, esquecer que tudo aquilo teve origem em um desastre, e que deve ser exemplo para que não se repita".

O complexo em Abadia de Goiás conta também com um laboratório de radioecologia, que realizará o acompanhamento do comportamento do depósito ao longo do tempo, servindo como centro de pesquisa e desenvolvimento. Conta com um Centro de Formação e Estudos em Radioecologia, que capacitará técnicos brasileiros, mormente os do Centro-Oeste, na área em questão. Conta ainda com um prédio de manutenção para atender a todas as necessidades do complexo.

"O projeto do depósito definitivo, ou melhor, de todo o complexo, é inteiramente nacional, custando 25% do preço cobrado por empresas estrangeiras, que só se propunham a construir o depósito. Hoje, o Brasil pode até exportar tecnologia na área."

Em 1991, no depósito de Abadia de Goiás, constataram-se sinais de corrosão em algumas embalagens, principalmente nos tambores de 200 litros. Iniciou-se de imediato a operação de recondicionamento, tendo prosseguido com a imobilização em embalagens de concreto em 1992, e terminado com as embalagens metálicas em junho de 1993.