Relatório do Greenpeace
Chernobyl

10 anos depois...

 

Abril de 1996

Balanço da Indústria Nuclear Mundial

1996

 

Dez anos depois do acidente de Chernobyl:
O contínuo declínio da indústria da energia nuclear

 

 

Em 31 de dezembro de 1995, havia 430 reatores nucleares em operação no mundo. A capacidade nominal de todas essas usinas, juntas, era de quase 340 gigawatts (GW). Elas produziam cerca de 17% da eletricidade de todo o planeta.

Na mesma data, apenas 36 usinas estavam sendo construídas (com capacidade nominal de 30 GW), o menor número de usinas em construção dos últimos 25 anos. A maioria delas tem conclusão marcada para os próximos anos - embora atrasos nos cronogramas continuem a importunar a indústria.

Além disso, muitas das usinas terminadas continuam inativas, enquanto outras foram interrompidas ainda na fase de construção (ficaram, no jargão da indústria, "mothballed" , ou "de prontidão" - isto é, recebem manutenção que possibilite a retomada das obras quando necessário). Embora mais de 80 reatores (19 mil MW) tenham sido definitivamente fechados, muitas perguntas relativas a programas de longo prazo para o descomissionamento (desmontagem definitiva e descontaminação das instalações) continuam sem resposta.

Américas do Norte e Latina

A América Latina tem apenas cinco reatores nucleares em operação: dois na Argentina, dois no México e um no Brasil. Os cinco têm graves problemas técnicos e são desativados com freqüência.

Brasil - A única usina em operação, Angra I, ganhou até um apelido: "vagalume", tantas vezes "acende e apaga". Os planos para o setor elétrico brasileiro, nos anos 70, eram muito mais ambiciosos: quando assinou o Acordo Nuclear com a Alemanha, em 1975, o país planejava instalar oito novos reatores. O único a ser construído - Angra II - teve suas obras interrompidas por mais de dez anos, enquanto os custos ultrapassavam todas as previsões iniciais. Inacabada, a usina é hoje uma das mais caras do mundo.

Além do Brasil, o único país do Continente a estar construindo um reator é a Argentina. Os dois de Cuba - projetados pelos soviéticos e parcialmente construídos - foram deixados de lado em 1992.

Estados Unidos - A última encomenda, não cancelada, de reator nuclear ocorreu há 23 anos. Em pouco mais de três décadas, as empresas de energia elétrica norte-americanas cancelaram 123 projetos de usinas nucleares (representando um total de 135 mil MW de capacidade de geração anual) - bem mais do que todo o parque energético de origem nuclear instalado no país (109 reatores e 99 mil MW).

Canadá - Em 1995, não havia qualquer reator em construção no país. Cinco anos antes, a Ontario Hydro prometia construir dez reatores até 2014. Cancelou-os. Dos reatores em operação, um foi desativado em 1995.

Europa Ocidental

Em 1957, a promoção da energia nuclear na Europa era considerada tão importante que motivou a criação da Comunidade Européia de Energia Atômica (EURATOM). Na União Européia de hoje, sete dos quinze estados-membros não operam reatores comerciais de energia nuclear: Portugal, Irlanda, Luxemburgo, Dinamarca, Itália, Grécia e Áustria. Se a Suécia mantiver-se fiel à decisão de banir a energia nuclear até 2010, conforme decidido em plebiscito, em 1980, os estados-membros da CE que não utilizam energia nuclear passarão a ser maioria.

Suécia - O novo governo propôs recentemente fechar um reator nos próximos quatro anos. No referendo de 1980, os suecos votaram a favor de um phase-out (abandono definitivo da energia nuclear), e o Parlamento estabeleceu a data-limite tomando como base a vida útil - de 25 anos - dos reatores.

Em fevereiro de 1995, a comissão do governo sueco encarregada de rever a política energética concluiu que, embora os 12 reatores nucleares do país - que geram cerca da metade da energia elétrica produzida na Suécia -, possam, tecnicamente, ser desativados até 2010, o custo disso seria muito alto. Segundo a comissão, o descomissionamento em época posterior seria economicamente mais barato. Essa constatação não impediu que a Comissão Sueca de Energia, ao concluir seus trabalhos, em dezembro de 1995, mantivesse a idéia de banir a energia nuclear - apesar do enorme lobby da indústria nuclear.

A comissão sugeriu também que diversas medidas econômicas restritivas fossem anexadas à legislação sueca. A decisão final sobre se 2010 será ou não a data para o phase-out, bem como sobre os instrumentos legais necessários para isso, deverá ser tomada pelo governo sueco ainda em 1996. Recentemente, o Congresso do Partido Social Democrata (no poder) antecipou-se ao governo e anunciou sua decisão de fechar as usinas nucleares da Suécia.

França - É, em toda a União Européia, o único país com reatores nucleares em construção. Em 13 de novembro de 1995, o consórcio franco-alemão Framatome-Siemens apresentou "o estado da arte" no setor: o projeto do Reator Europeu de Água Pressurizada (EPR, de ‘European Pressurized Water Reactor’). O EPR é anunciado por seus construtores como o reator nuclear "inerentemente seguro" da próxima geração. Seus promotores esperam que o EPR tenha de 10 a 100 vezes menos risco de fusão do núcleo que os atuais Reatores de Água Pressurizada (PWR, de ‘Pressurized Water Reactor’). Essa tentativa de aumentar os padrões de segurança dos reatores demonstra que os níveis de segurança atuais são totalmente inadequados.

A entrada em operação, na França, do primeiro EPR (considerado "de demonstração") está marcada para 2005. Além da estatal Eletricité de France (EDF), até agora nenhuma outra empresa comprometeu-se a encomendar um EPR - nem mesmo as companhias de eletricidade alemãs. Como o custo oficial estimado de construção do EPR é no mínimo 15% maior do que os dos reatores nucleares tradicionais, o futuro comercial do reator "da próxima geração" permanece altamente incerto.

Inglaterra - Depois de rever o processo de privatização da indústria nuclear, o governo britânico constatou que não havia justificativa econômica para o financiamento público da construção de novos reatores. Em dezembro de 1995, a British Energy anunciou o cancelamento de duas usinas projetadas.

Finlândia - O Parlamento votou, em setembro de 1993, contra a proposta do governo de construir um quinto reator no país.

Espanha - Em abril de 1991, o governo confirmou a moratória (adotada em 1983) na construção de usinas nucleares. Em janeiro de 1995, uma nova lei cancelou definitivamente a construção dos cinco reatores que estavam "de prontidão" desde a moratória.

Holanda - O governo decidiu, em dezembro de 1994, após grande debate parlamentar, somente autorizar a operação do reator de Borssele até 2004 -e, mesmo assim, sob condições estritas de vigilância -, apesar da forte pressão da empresa operadora, que queria prorrogar a "vida útil" do reator até 2007.

Alemanha - Quase imediatamente após a reunificação do país, velhos reatores da Alemanha Oriental foram fechados. Protestos públicos contra depósitos e transporte de lixo atômico fortaleceram o sentimento antinuclear entre a população alemã. As reuniões do Consenso de Energia - negociações entre as indústrias, o governo federal e o partido de oposição SPD - foram interrompidas em meados de 1995, sem chegar a qualquer acordo quanto a encomendas de novos reatores.

Bélgica, - Sete reatores nucleares atendem a cerca de 55% da demanda de eletricidade do país. Uma comissão especial do Senado decidiu, em 1991, que não poderiam seriam construídos reatores nucleares em áreas localizadas a até 30 km dos centros populacionais. Isso significa, na prática, proibir novos reatores, já que naquele país pequeno e densamente povoado, simplesmente não existe um lugar que escape à restrição. Em dezembro de 1995, o setor elétrico belga apresentou seu plano para o período 1995-2005. Ainda que não preveja novas usinas nucleares para os próximos dez anos, o plano foi duramente criticado por não conter uma política efetiva de eliminação da energia nuclear.

Suíça - Há cinco reatores funcionando atualmente. Depois de um plebiscito realizado em 1990, a Suíça adotou a moratória na construção de reatores novos até o ano 2000. Em 1992 e em 1994, as licenças de funcionamento dos reatores Muehleberg e Beznau-2 foram prorrogadas temporariamente - por somente dez anos -, e não por período ilimitado, como queriam as concessionárias de energia.

A lei suíça obriga a existência de um depósito de destinação final de lixo radioativo antes que qualquer reator seja encomendado. Em 1995, a população do Cantão de Nidwalden rejeitou, num plebiscito, a construção de um depósito desse tipo, tornando incerto o futuro da energia nuclear naquele país.

A Agência de Energia Nuclear da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômicos) afirma, em seu "Relatório de Atividades de 1993", que devido ao baixo número de encomendas de novas novas usinas, em comparação com o número de reatores desativados - até mesmo antes do final do prazo de vida útil -, a viabilidade da indústria nuclear chegou a um impasse, assim como a confiança dos investidores do setor. Com raros contratos nos países ocidentais, as tradicionais empresas de construção de usinas nucleares procuram novos mercados. Numa tentativa de sobreviver, elas se voltaram para a Ásia e a Europa Oriental. Contudo, a energia nuclear nessas regiões continua às voltas com problemas.

Europa Central e Oriental

Rússia - Apesar dos planos oficiais para complementação e construção de até 10 reatores até 2005, os representantes da indústria, segundo fontes do setor, já foram alertados que, até o ano 2000, só haverá financiamento para dois reatores - em Kalinin e Rostov.

Em novembro, a companhia alemã Siemens assinou uma carta de intenções para fornecer equipamento e sistemas de controle destinado ao desenvolvimento da nova geração de reatores russos, chamada VVER 640. Em princípio, um reator VVER 640 será construído no complexo de Sosnovy Bor. Há propostas para outros reatores em Kola, bem como expectativa de vendas potenciais para o exterior.

Ucrânia - A operação das unidades 1 e 3 da usina nuclear de Chernobyl continua a ser alvo da atenção internacional. Em dezembro de 1995, foi assinado um "Memorando de Entendimento" entre os governos ucraniano e dos países do Grupo dos Sete e da União Européia. Esse memorando tem por objetivo o fechamento de Chernobyl no ano 2000 e delineia um programa de ajuda financeira internacional, envolvendo um total de US$ 2,3 bilhões. O maior projeto do pacote refere-se à conclusão de dois novos reatores. Segundo estimativas atualizadas do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (EBDR, de European Bank for Reconstruction and Development), a conclusão desses reatores custará aproximadamente US$ 800 milhões.

Em agosto de 1995, foi acionado o sexto reator da central nuclear de Zaporozhe. Em 1995, essa central apresentava o pior índice da Ucrânia em termos de segurança, segundo a Unian, agência de notícias do país.

Armênia - A segunda unidade da central nuclear de Medzamore foi religada em outubro de 1995. A usina fora fechada em 1988, por causa da forte oposição popular. Há uma grande carência de energia no país, devido à falta de investimentos e ao bloqueio no suprimento de energia em decorrência da guerra de sete anos entre a Armênia e o Azerbaijão.

O religamento do reator gerou protestos dos vizinhos Azerbaijão, Geórgia e Turquia, que consideram a usina de Medzamore uma ameaça ao ambiente. Representantes do governo americano também protestaram, afirmando que ela está entre as mais perigosas do mundo.

Bulgária - O governo autorizou a volta à operação do reator número 1 da usina nuclear de Kozloduy, em outubro de 1995. A medida foi tomada apesar das objeções de governos ocidentais, da Comissão Européia e das organizações de segurança da Europa Ocidental. Como resultado, uma das principais concessionárias ocidentais de energia na região, a Eletricité de France, ameaçou retirar seu pessoal da área.

República Tcheca - Apesar da assinatura de um acordo de financiamento para a conclusão de dois reatores na usina nuclear de Temelin, em março de 1994, as obras estão praticamente paralisadas. A construção, a cargo da Westinghouse e parcialmente financiada pelo Banco de Exportação e Importação dos Estados Unidos (EXIMBANK), parou, em parte devido a questões de definição de responsabilidades dos agentes envolvidos e em parte por problemas legais.

Eslováquia - O país iniciou, em dezembro de 1994, um programa de participação popular para avaliar a viabilidade técnica, econômica e pública de se concluir as duas primeiras unidades da usina nuclear de Mochovce. A conclusão dos reatores, usando tecnologias francesa, alemã, russa, tcheca e eslovaca, com financiamento do EBRD, da Comissão Européia e das agências de crédito dos governos francês e alemão. Se concluído, o reator seria o primeiro de desenho soviético finalizado por companhias da Europa Ocidental.

Em março de 1995, após o término do programa de participação popular, o governo eslovaco pediu a suspensão do projeto das usinas junto ao banco financiador. Posteriormente, informou-se que o governo eslovaco ficara insatisfeito com o preço total do projeto, quase US$ 1 bilhão, e com as condições que o EBRD propôs para o empréstimo.

A empresa de eletricidade eslovaca ainda busca financiamento para completar o projeto e prepara um pacote que prevê maior envolvimento da Minatom (da Rússia), de bancos e empresas tchecos, bem como da alemã Siemens. Contudo, o futuro de Mochovce ainda está muito longe de ser considerado garantido.

Ásia

No Leste da Ásia, Japão, Coréia do Sul, China e Taiwan têm planos de expandir seus programas de energia nuclear.

Coréia do Sul - Técnicos sul-coreanos estimam que os custos de conclusão de cinco reatores atualmente em obras tendem a atingir o dobro do preço dos reatores já em operação. Além disso, a oposição popular à energia nuclear e, em particular, à construção de depósitos de lixo atômico, cresce a cada dia.

Taiwan - As discussões sobre como tratar os resíduos radioativos das seis usinas nucleares do país continuam a afetar a indústria. Enquanto isso, os planos para dois novos reatores foram adiados - devido à oposição popular e à escalada dos custos.

Japão - Tinha, no final de 1995, 50 reatores nucleares em funcionamento e outros quatro em construção. Na projeção oficial de oferta e demanda de energia a longo prazo, divulgada pelo Ministério de Comércio e Indústria Internacional (Miti) em 1992, previa-se a construção de mais 40 reatores nucleares. Recentemente, contudo, tornou-se óbvio que esse "plano oficial" é irrealista.

Todas as nove empresas de eletricidade do país cambaleiam sob o peso da dívida acumulada no passado com a construção de usinas nucleares. Em conseqüência disso, em agosto de 1995 essas empresas retiraram-se unilateralmente do projeto de construção do "Reator Térmico Avançado" (ATR, de Advanced Thermal Reactor).

As perspectivas para a energia nuclear no Japão ficaram ainda piores com as novas medidas de desregulamentação do mercado da eletricidade, em vigor desde 1º de janeiro de 1996. A principal mudança foi o fim da cobrança, pelas companhias de eletricidade, do "prêmio" de 8% (subsídio) para garantir seu "retorno de investimento". No futuro, o preço da eletricidade para o consumidor japonês será regulado pelo governo e as empresas geradoras somente conseguirão lucro se reduzirem seus próprios custos. Isso, inevitavelmente, vai tornar patente a desvantagem da energia nuclear em termos de custos.

Em dezembro de 1995, o setor eletronuclear japonês sofreu grande perda de confiança por parte da população em decorrência de vazamento de material refrigerante a base de sódio ocorrido no reator Monju (um Fast Breeder): a indústria nuclear japonesa tentou acobertar a real dimensão dos danos.

Hong Kong - Os moradores de Hong Kong manifestam grande preocupação com a pouca distância que os separa dos reatores da Baía de Daya, na China. O temor em relação à usina aumentou quando, pouco depois do início da construção, os engenheiros descobriram que metade dos vergalhões de reforço vertical das fundações foram deixados expostos. Embora o problema tenha sido corrigido, a confiança quanto à segurança dos reatores da Baía de Daya sofreu abalos duradouros. Os planos para a expansão da usina continuam a ser postergados.

Coréia do Norte - Os governos ocidentais, liderados pelos Estados Unidos, prometeram até US$ 400 milhões em óleo combustível e dois grandes reatores nucleares de padrão ocidental em troca da garantia norte-coreana de cortes no desenvolvimento de armas nucleares.

Índia - Cinco novos reatores estão em fase de construção. Em 1993, os nove reatores indianos em funcionamento tinham fator de capacidade de apenas 39%, muito abaixo da faixa média de 60 a 80% da maioria dos países. Em 1994, uma laje de concreto de 130 toneladas, do vaso de contenção, ruiu em um reator em construção em Kaiga, aumentando a incerteza a respeito da segurança das usinas nucleares indianas.

Recentemente, Vietnã, Tailândia e Filipinas expressaram interesse na energia nuclear. Os planos, contudo, permanecem em fase muito embrionária. Já a Indonésia confirma muito lentamente pedidos que os fornecedores antecipavam há bastante tempo.

Sombras

No total, a metade das novas usinas em construção no mundo está na Ásia. Ainda que a nuclear seja a única fonte de energia elétrica ativamente promovida por uma agência das Nações Unidas, esta nunca cumpriu sua promessa de garantir segurança energética aos países recém-industrializados. Contrariamente à sua pequena participação na produção de eletricidade, a energia nuclear contribui de forma muito significativa para a dívida externa das nações recém-industrializadas.

Além disso, todo reator nuclear comercial produz quantidades significativas de plutônio e a maior parte da tecnologia nuclear pode ser empregada tanto para fins civis quanto para fins militares. À medida que a tecnologia nuclear se espalha pelo planeta, aumenta o risco de proliferação de armas nucleares.

Por fim, o custo crescente do descomissionamento de instalações nucleares paira como uma sombra sobre o futuro da indústria. Um exemplo: a construção da usina de Yankee Rowe, no oeste de Massachusetts, EUA, custou cerca de US$ 186 milhões em 1960. A usina foi fechada em 1991. Desmontá-la totalmente vai custar US$ 370 milhões. Se governos e empresas têm passado por maus momentos ao tentar justificar o custo de construção e operação de usinas nucleares, um novo pesadelo os espera na hora de apresentar à opinião pública a conta do fechamento dos reatores em final de vida útil.

Conclusão

Nas últimas duas décadas, houve um declínio constante da indústria nuclear em todo o planeta. A queda começou nos Estados Unidos, nos anos 70, e resultou no cancelamento de mais de 120 usinas nucleares. A partir daí, o que se viu foi o cancelamento de planos e de reatores nucleares pelo mundo todo. Hoje, na Europa Ocidental, apenas a França ainda tem reatores em construção, ao mesmo tempo em que na Europa Central e na Oriental só uns poucos estão sendo construídos. Mesmo na Ásia, que freqüentemente é apontada como o mercado mais promissor para as indústrias de usinas nucleares, os programas de construção de reatores vêm sendo reduzidos e cancelados.

É provável que essa tendência declinante continue na próxima década - e seja até mesmo acentuada, à medida que os custos econômicos e ambientais da desativação e do gerenciamento do lixo atômico venham à luz.

Contudo, a indústria nuclear não desistiu. E pretende projetar uma nova geração de reatores que, segundo afirma a indústria, será "segura e barata", na linha do Reator Europeu de Água Pressurizada (EPR), e do VVER 640 russo.

A indústria nuclear teve quase 50 anos para provar que sua tecnologia é segura, limpa e barata - e não conseguiu. Em vez da eletricidade "barata demais para ser medida", como apregoavam seus primeiros defensores, o que se constata hoje é que a energia nuclear tem custos ambientais e econômicos altos demais para se medir. Não é hora de os governos darem mais subsídios para o desenvolvimento de uma nova série de reatores nucleares. À medida em que se aproxima o século 21, as fontes de energia renovável mostram claras vantagens ambientais e econômicas em relação à energia nuclear. Chegou a hora de abandonar de vez a tecnologia nuclear e se começar a implementar a Era Solar.

Abril de 1996
© Greenpeace