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Atos de Sabotagem e Terrorismo

New York, World Trade Center através do Brooklyn. A destruição do World Trade Center em 11.09.2001 trouxe à tona preocupações com possíveis ataques de terroristas à centrais nucleares. A Nuclear Regulatory Commission dos Estados Unidos recomendou às usinas nucleares americanas que voltassem a adotar todas as medidas requeridas para garantir o mais alto nível de segurança. No mesmo momento, o Departamento de Energia enquadrou os laboratórios de armas nucleares dentro do mesmo nível de vigilância. Veja onde se concentram alvos onde há fabricação de armas nucleares nos Estados Unidos.

Para produzir uma bomba nuclear, o material deve ser enriquecido a uma faixa de 90%, o combustível comercial de usinas nucleares está na faixa de 3%, porém terroristas independentes trabalham com material contrabandeado e bastaria uma carga de qualquer elemento radioativo (de uso médico, industrial, rejeitos) para uma bomba nuclear suja, conhecida tecnicamente como dispositivo de dispersão radiológica (RDD), onde o objetivo é contaminar áreas e população, produzindo pânico e matar a longo prazo.
Sabe-se que as centrais nucleares continuam sendo um alvo dos terroristas: em 03.07.2001, Ahmed Ressam, um argelino preso em Los Angeles e que pertence, segundo as autoridades, à organização de Osama Bin Laden, revelou à Justiça que as centrais nucleares fazem parte dos alvos potenciais do grupo. Com o colapso das duas torres atingidas por Boeings, N. York parece incendiar-se.
Parecia uma grande produção cinematográfica. Os telejornais avisavam que não se tratava de um filme. Da mesma forma, em 1993, quatro dias após o atentado contra o World Trade Center, que resultara em seis mortes, em 26 de fevereiro, uma carta de reivindicação considerada de fonte verossímil foi enviada às autoridades e ao "New York Times".

Nela, o "quinto batalhão do exército de libertação" incluía os "alvos nucleares" entre seus objetivos de ações futuras. Em junho de 1993, o FBI desmantelou um campo de treinamento de ativistas situado a 30 km da central de Three Mile Island.

Essas ameaças devem ser levadas tanto mais a sério pois os reatores nucleares não resistem ao impacto de um avião de linha do tipo dos que percutiram contra o WTC. Os prédios de reatores foram dimensionados para suportar choques causados por aviões tais como o Cessna ou o Lear Jet, muito mais leves que as aeronaves de linha.

O problema é que não existem meios efetivos de se proteger contra tais ataques. A única hipótese aventada é a instalação de baterias de mísseis antiaéreos em volta das centrais.

Os Estados Unidos estudam checar todos os funcionários para evitar sabotagem no interior das mesmas e montar baterias antiaéreas em torno das 103 usinas nucleares existentes em 31 estados norte-americanos; a aproximação aérea de tais instalações é relativamente fácil, como demonstrou tanto o atentado maciço contra as torres de Manhattan como a maneira com a qual posou um planador motorizado sobre o teto do reator suíço de Mühleberg, em 20.09.2000, com toda tranqüilidade. O objetivo, naquela ocasião, era apenas fincar uma bandeira do Greenpeace contra a energia nuclear.

Leia a brochura de instrução para casos de ataques terroristas envolvendo materiais nucleares do governo norte-americano.

O jornalista das Organizações Globo Ali Kamel em artigo publicado registra o seguinte: Existe um instituto em Israel dedicado a pensar o terrorismo. Chama-se The International Policy Institute for Counter-Terrorism (ICT), criado em 1996, em Herzliya. Um dos seus pesquisadores mais conceituados chama-se Yoram Schweitzer. Durante a Conferência Internacional sobre Terrorismo Suicida, realizada na sede do ICT em 21 de abril de 2000, Schweitzer dissertou sobre o tema "Terrorismo suicida, desenvolvimento e características". Depois de todos os dados históricos, do relato das ações mais recentes contra Israel, ele disse que o número médio de vítimas era de nove a 13 por atentado. E, bem ao final, declarou: "O terrorismo suicida pode representar no futuro um grande potencial de risco se os terroristas fizerem operações combinadas com ações espetaculares, tais como explodir aviões ou usar armas de destruição em massa. Esta combinação vai aumentar imensamente o número de mortos de um simples ataque terrorista e vai ter um efeito psicológico terrível sobre o moral do público. Nesse nível, o terrorismo suicida se constituirá numa genuína e estratégica ameaça e será, provavelmente, enfrentada como tal." Schweitzer disse isso um ano e cinco meses antes do 11 de Setembro, quando, vale lembrar, 19 suicidas usaram quatro aviões para matar cerca de três mil pessoas. Como ele previu, a reação, à altura, desencadeou uma guerra, que estamos vivendo até hoje.

O mesmo pesquisador, quando confrontado em 2001 com a afirmação de Bin Laden de que já tinha capacidade nuclear, escreveu um artigo para desmenti-la ("Osama e a bomba"). Schweitzer disse que muitos ditadores investiram anos e milhões de dólares tentando, sem sucesso, desenvolver ou comprar armamentos nucleares. Não seria, portanto, assim tão fácil para Bin Laden, isolado nas montanhas afegãs, conseguir realizar seus desejos nucleares. Mas, também ao final do artigo, como fez em 2000, Schweitzer advertiu: "No entanto, é preciso ter uma atenção meticulosa para a habilidade criativa de Bin Laden. Ele não investiu seu dinheiro em aviões, equipamentos ofensivos ou explosivos para realizar o 11 de Setembro. Em vez disso, ele simplesmente usou as ferramentas de seus oponentes contra eles próprios. Tomando o controle de quatro aviões, usando recursos mínimos, ele teve sucesso, sendo o autor do pior ataque terrorista da história da Humanidade. A lição deve ser clara para os encarregados da segurança mundo afora. Rigorosas medidas devem ser tomadas para inspecionar instalações e materiais não-convencionais. Nós não devemos ser pegos de surpresa novamente, se Osama bin Laden tentar tirar vantagens de nossa complacência ou negligência para virar nossas próprias armas contra nós." Ou seja, o pesquisador esclarece que bin Laden já tem capacidade nuclear: as nossas.

Uma fonte russa informou que bin Laden adquiriu dispositivos nucleares através da Tchetchnya, ao custo de US$ 30 milhões e 2 t de heroína afegã (US$ 70 milhões). O chefe da segurança russa Alexander Lebed em depoimento no Capitólio norte-americano disse que  43 pastas nucleares desenvolvidas pela KGB sumiram do arsenal soviético desde 1991. Uma bomba destas é suficiente para acabar com 100.000 pessoas.

Cenário Chernobyl

Multiplicando a massa do avião pela sua velocidade ao quadrado permite calcular a energia cinética de tais choques. Um Lear Jet de 5,7 t lançado na velocidade de 200 m/s produziria assim ao colidir contra o edifício uma energia de 240 milhões de joules, o suficiente para perfurar o recinto. Em comparação, a colisão das torres de Manhattan pelos Boeing 767 - que deslocaram, cada um, uma massa de cerca de 150 t à velocidade de 250 nós, ou seja, 125 m/s - representou uma energia superior a 1 bilhão de joules, ou seja, uma energia comparável a de uma massa de 1.000 t caindo de 100 m de altura.
Infográfico de O Estado de São Paulo, 12.09.2001.

"Não se pode garantir que a estrutura de um reator resistiria ao choque de um avião de linha", reconhece Philippe Jamet, do Instituto de Proteção e de Segurança Nuclear.

A questão é saber se a aeronave, após ter danificado as barreiras ambientais do edifício do reator, conservaria bastante energia para conseguir destruir o circuito primário do reator, liberando material radioativo para a atmosfera. A fuselagem poderia ser contida pela estrutura do edifício mas as turbinas são feitas de aço e muito mais perfurantes.

Essa hipótese nunca foi estudada por não levarem em conta nos cálculos a hipótese de seqüestros de aviões por terroristas.. Enquanto os especialistas consideram que a queda de um avião de turismo poderia se produzir com uma probabilidade de um milionésimo (isto é, um acidente por reator a cada um milhão de anos), eles julgam que a queda de um avião de linha sobre um reator apresenta uma probabilidade 100 vezes menor, e, portanto, desprezível.

O diretor-presidente (Flávio Decat de Moura) garantiu que Angra I suporta o impacto de um Boeing. Na audiência pública na Câmara dos Deputados em 26.09.2001 explicou que foram feitos testes na Alemanha utilizando aviões contra estruturas nucleares desativadas. Os resultados comprovaram que paredes com 70 cm de espessura são capazes de agüentar o impacto de um Boeing de 180 t numa velocidade de 800 km/h.

As paredes de aço de Angra I têm 75 cm de espessura, o que coloca a unidade fora do risco de eventual dano nuclear em razão de ataques terroristas. Já a parede de Angra II tem apenas 60 cm, ou seja, abaixo das especificações do teste. Mesmo assim, os reatores das duas usinas nucleares estariam protegidos ainda por outras paredes de concreto que circundam as usinas com 1,20 m de espessura. Caso haja necessidade de reforço na estrutura das usinas, a ELETRONUCLEAR estaria disposta a fazê-lo, conforme declarado na Comissão de Minas e Energia da Câmara Federal. Se houver um ataque por aeronave, os aviões Mirage da Base Aérea de Santa Cruz, na cidade do Rio de Janeiro, estão incumbidos de interceptar o agressor.