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| No final de agosto de 1986, o governo soviético divulgou relatório de 382 páginas sobre o acidente identificando a causa como tendo sido o fato dos operadores, durante um teste de segurança, terem desligado três sistemas de segurança. Em 30.07.1987, seis russos (Viktor Petrovich Bryukhanov -chefe da usina, Nikolai Maksimovich Fomin -engenheiro chefe, Anatoly Stepanovich Dyatlov -adjunto do engenheiro chefe, Alexander Kovalenko -operador da unidade 4, Boris Rogozhkin -chefe de turno, Yuri Laushkin -inspetor governamental) foram levados a julgamento por violação das normas de segurança que levaram à explosão do reator. Três foram declarados culpados (em negrito) e sentenciados a 10 anos em campo de trabalhos forçados. |
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| Uma das principais conclusões da Conferência Internacional Uma década após Chernobyl, organizada em Viena pela União Européia, AIEA e Organização Mundial da Saúde, foi a estatística das vítimas do acidente de abril de 1986. | ||
| Um total de 237 pessoas, trabalhadores envolvidos com o acidente foram hospitalizados, destes, 134 foram diagnosticados com síndrome aguda de radiação. O total oficial de mortos em virtude da radiação emitida pelo acidente no reator foi de 31 pessoas, vitimadas pela participação direta no combate aos incêndios da unidade. Duas pessoas faleceram atingidas diretamente pela explosão do reator, e uma terceira, de infarto. No entanto, milhares de pessoas sofreram e sofrem as consequências da exposição à radiação até hoje. | ||
| Mortos | Função |
| Alexander Fyodorovich Akimov | supervisor de turno da unidade 4 |
| Anatoly Ivanovich Baranov | engenheiro elétrico |
| Vyacheslav (Slava) Brazhnik | turbineiro |
| Vasyl Ignatenko | bombeiro |
| Yekaterina Alexandrovna Ivanenko | vigilante |
| Valery Khodemchuk | operador |
| Viktor Kibenok | bombeiro |
| Alexander Kudryavtsev | trainee |
| Anatoly Kurguz | operador |
| Alexander Grigoryevich Lelechenko | funcionário da usina |
| Klavdia Ivanovna Luzganova | vigilante |
| Novik | turbineiro |
| Orlov | físico |
| Perchuk | turbineiro |
| Pyotr (Petya) Palamarchuk | |
| Valery Ivanovich (Valera) Perevozchenko | bombeiro da seção do reator |
| Georgi Illiaronovich Popov | especialista em vibração |
| Vladimir Pravik | bombeiro |
| V. A. Prishchepa | bombeiro |
| Viktor Proskuryakov | trainee |
| Vladimir (Volodya) Shashenok | operador |
| Leonid Shavrey | bombeiro |
| Anatoly Andreyevich (Tolya) Sitnikov | físico |
| N. Tishchura | bombeiro |
| N. Titenok | bombeiro |
| Leonid (Lenya) Toptunov | operador |
| Mykola Vashchuk | bombeiro |
| Vershinin | turbineiro |
| Em janeiro de 1993, a AIEA refez sua análise do acidente e atribuiu como sendo a causa principal o projeto do reator e não mais a erro operacional (excesso de confiança, falha na comunicação entre os operadores e a equipe que conduzia o teste, desligamento dos sistemas de segurança) conforme relatório de 1986. |
| O RBMK tem defeitos de nascença. O reator se torna instável, elevando temperatura e aumentando a reatividade em baixa potência.O reator é suscetível a formação de bolhas de vapor nos seu interior e a refrigeração promovida pelo vapor é menos eficiente que a água. Por sua vez, a formação de vapor aumenta a potência da reação, porque diminui a absorção de nêutrons. Algo como se alguém pisasse no freio de um veículo e a velocidade aumentasse. |
| Em 1991 as repúblicas soviéticas se separaram e a Ucrânia voltou a existir como país independente. Nomes, como Chernobyl e Kiev - a capital, passaram para a forma ucraniana -Chornobil e Kiif. |
| A unidade 1 foi desligada em março de 1992 e depois funcionou até 1996. A unidade 2 sofreu um incêndio no salão da turbina em outubro de 1991, com isto apressou a decisão do Parlamento ucraniano que imporia moratória nuclear em 1995 e a trouxe para 1993. A unidade 3 teve problema com válvulas e foi desligada em abril de 1992. |
| Na ocasião, em 1993, o sistema de geração elétrica estava prestes a desligar e suspenderam a moratória. Em 1995, o sistema elétrico ucraniano foi conectado ao sistema elétrico russo, mas por falta de pagamento, permaneceu depois algum tempo desinterligado. Com isto o reator 3 voltou a funcionar. |
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A independência da Ucrânia da URSS e a crise econômica e política que vigora na região fez com que muitos vizinhos europeus tivessem que investir em proteção em Chernobyl. A Noruega calcula ter recebido 6% do material da explosão com o deslocamento da pluma radioativa sobre seu território. Belarus, 25%, Ucrânia, 5% e Rússia, 0,5%. Muitos operadores de nacionalidade russa em busca de melhor salário retornaram à Rússia. |
| Doze anos depois a região alpina na Europa continua muito contaminada pela precipitação nuclear. Uma análise revelou níveis bastante altos do isótopo radioativo césio 137, noticiou o jornal francês Le Monde. Em alguns lugares a radioatividade era 50 vezes maior do que os padrões europeus para lixo nuclear. As amostras mais contaminadas vieram do Parque Nacional Mercantour, no sudeste da França; do monte Cervino, na fronteira ítalo-suíça; da região de Cortina, na Itália; e do Parque Hohe Tauern, na Áustria. As autoridades pediram aos países afetados que monitorem os níveis de radiação da água e de alimentos sensíveis à contaminação, como cogumelos e leite. |
Parada Definitiva |
| O presidente Clinton dos EUA fez uma visita de 6 horas à Ucrânia e ofereceu US$ 78 milhões para as despesas com Chernobyl e teve assegurado seu fechamento em 15.12.2000. A unidade 1 funcionaria até 2007. Unidade 2 até 2008. Unidade 3 até 2011. Inicialmente, o fechamento estava marcado para 1° de janeiro de 2000, devido a muita discussão interna e pressão externa. A Ucrânia depende em 32% da energia nuclear na área de geração elétrica. Chernobyl gerava 5% de suas necessidades energéticas. |
| Em 29.03.2000, a Ucrânia decidiu fechar a central até o fim do ano, condicionado à ajuda financeira internacional. Após assegurar o fechamento para o dia 15.12.2000 ao presidente dos EUA, o Parlamento ucraniano tentou um dia antes adiar o evento para depois do inverno em 2001. No entanto, a unidade 3 de Chernobyl foi desligada na data marcada, com direito a transmissão ao vivo pela televisão. |
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O chefe de turno Alexander Yelchishchev acionou o botão BAZ, ativando o sistema automático de segurança às 13:16 (11:16 GMT). |
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| Em segundos a potência do reator começou a baixar até zero. |
| A posição russa foi contra o fechamento da unidade remanescente, afirmando ser segura a operação daquele reator até 2011 e que sua saída foi provocada por pressão política sobre a Ucrânia que espera investimentos ocidentais que só virão com o fechamento total da Central Nuclear. O fechamento deixa 9.000 desempregados, que também foram contra o descomissionamento da unidade. |
| Em conseqüência, o Governo ucraniano solicitou um crédito de US$ 1,48 bilhão ao Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento para dois novos reatores nucleares, destinados a substituir a produção elétrica de Chernobyl, nas centrais de Rivne e Khmelnytsky, no oeste da Ucrânia. Da mesma forma, a Lituânia, com a Central de Ignalina de dois reatores RBMK de 1.500 MW, é condicionada a entrar na Comunidade Européia quando desativar seus reatores. |
| Apesar das especificações superiores nos reatores ocidentais, a influência do acidente foi devastadora para a indústria nuclear de todo o mundo (Relatório do Greenpeace), embora não assumida pelos defensores intransigentes da opção nuclear. Após o acidente, foram iniciadas as construções de 48 unidades, entre 1987 e 1999. |
| O acidente de 1986 levou o presidente da república José Sarney (1985-1990) a recomendar ao ministro Aureliano Chaves que constituísse uma comissão especial, que se reuniu em maio de 1986, para avaliar seu impacto no programa nuclear brasileiro, bem como promover uma cuidadosa revisão nas condições de segurança e radioproteção na central nuclear brasileira. |
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Chernobyl ainda se fará sentir por pelo menos mais 50 anos, conforme artigo na revista inglesa "Nature", para o Greenpeace em seu relatório após os 14 anos -a catástrofe só começou. Mais um relatório foi emitido em 2002 a respeito das conseqüências humanas do acidente. O que aconteceu em Chernobyl demonstra que energia nuclear não é assunto isolado de uma nação, um evento nuclear atravessa fronteiras e não tem cidadania, avançando sobre todos nós e tudo a nossa volta. A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e agora boa parte a Rússia, que colocou o primeiro satélite em órbita, manteve durante vários anos um programa espacial marcado pela permanência do Homem no espaço e que foi construtora de um grande arsenal bélico com mísseis intercontinentais armados com ogivas nucleares, mais uma vez expôs um catastrófico e perigoso "calcanhar de Aquiles". |
O acidente que deixou desde 12.08.2000 o submarino nuclear Kursk, afundado no Mar de Barents com 118 tripulantes avariado após duas explosões, demonstra claramente que o salto tecnológico de uma nação muitas vezes não é acompanhado de todas as garantias e aperfeiçoamentos. A incapacidade de manutenção deste arsenal compromete não somente seus cidadãos, bem como seus vizinhos na Europa e Ásia, mas todo o mundo que verá a radioatividade ambiente (background) aumentar a cada falha na segurança de submarinos, ogivas e reatores nucleares. Vimos Chernobyl, o submarino Kursk, provavelmente o próximo incidente será o disparo acidental de um míssil. As mesmas negativas iniciais, a recusa de ajuda externa e a imprecisão das informações e mais lições. |
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