ELETRONUCLEAR

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ELETRONUCLEAR S.A. e Angra II

Já em 1986, durante o Governo José Sarney foi estabelecida uma Comissão de Alto Nível para a Avaliação do Programa Nuclear (Comissão Vargas), sendo uma de suas recomendações " -9. Quanto aos aspectos institucionais... j. Criar uma subsidiária da ELETROBRÁS para tratar da construção e operação de centrais nucleares." Isto tiraria de FURNAS a administração e operação da Central Nuclear Almte. Álvaro Alberto nalgum dia. Devido a intenção do Governo federal em privatizar suas empresas elétricas e energia nuclear ser uma área de monopólio da União (artigo 21 da Constituição Federal), foram necessários vários trâmites burocráticos e jurídicos para se conseguir a separação, abrindo o caminho para a venda de FURNAS e manutenção do monopólio da energia nuclear pela União. Eletronuclear
Em 23.05.1997 o Governo já tinha preparado a minuta do decreto.  
Através de uma cisão empresarial ocorrida em 01.08.1997 surgiu a ELETRONUCLEAR (ELETROBRÁS Termonuclear S.A.), que vem a ser a consolidação da área nuclear de FURNAS (Diretoria de Produção Termonuclear) com a NUCLEN. A CNEN já estava com a Portaria pronta para transferir a Autorização para Operação Permanente.
Em junho de 1999, a Justiça Federal no Rio de Janeiro deu 45 dias, após a publicação da sentença (ocorrida no final de agosto de 1999), para a ELETRONUCLEAR retornar para FURNAS, reconhecendo que a cisão deveria ser resolvida no Congresso Nacional.
O Presidente do Supremo Tribunal Federal, Carlos Velloso, suspendeu os efeitos desta sentença em 26 de outubro, permanecendo as empresas como definido na cisão das atividades e evitando maior estrago.
Reator de Angra II fora da cavidade. Reator de Angra II na cavidade. Turbogerador de Angra II.

Angra II

Em 1999, terminada a montagem, com indice de 30% de nacionalização, começaram os testes de comissionamento da unidade II e o trabalho de convencimento da opinião pública. Quando um sistema era concluído, era avaliado e testado por técnicos estrangeiros e brasileiros, enquanto seus operadores estavam sendo avaliados pela CNEN.
Normalmente o pessoal de operação de Angra I é levado para serem avaliados nos EUA (Ginna) ou Espanha (Tecnatom) em um simulador idêntico às características de controle da usina. Os operadores de Angra II contam desde 1985 com um simulador da unidade II na praia de Mambucaba, que tem gerado recursos próprios com a venda de serviços para operadores de usinas idênticas à Angra II da Alemanha, Suiça, Espanha e também Argentina.
Nos piores anos de Angra I, dizia-se que o simulador para aquela unidade estava situado na própria sala de controle de Angra I. Não se precisava ir lá fora para fazer testes de emergência e segurança, segundo a piada que se contava. Em setembro de 2001, a ELETRONUCLEAR resolveu contratar serviços para montar também um simulador para a unidade I.

Partida

Em 30.03.2000, a CNEN concedeu a Autorização de Operação Inicial, com isto a ELETRONUCLEAR iniciou o carregamento do núcleo com o combustível nuclear, passando para o status de instalação nuclear. Às 09:34 do dia 02.04.2000, após 3 dias, o reator de Angra II foi finalmente carregado com os 193 elementos combustíveis.
Águas quentes na Praia Brava e na Piraquara. O Globo "Angra II atingirá a fase de criticalidade (momento em que o reator entra numa reação em cadeia) já em abril. A operação a plena carga está prevista para fim de maio ou início de junho." A expectativa passou para o dia 15 de junho, com 30% de carga. Devido a defeito nos mancais de 3 bombas do Sistema de Resfriamento, Angra II teve mais um atraso e prejuízo na venda de energia contratada. Em 13.07.2000 às 23:50 a  Comissão Nacional de Energia Nuclear liberou o início do processo de fissão nuclear, que se refere apenas à operação para atingir 30% da capacidade de geração da usina, ou seja, 390 MW. A usina entrou em criticalidade - processo em que se atinge uma reação nuclear em cadeia auto-sustentada - em 14.07.2000. As etapas seguintes, com o aumento da geração da usina, teriam que receber novos licenciamentos da CNEN.
Às 22:16 do dia 21.07. 2000, Angra II  foi sincronizada, pela primeira vez, na rede elétrica. Começou com potência de 150 MW, atingindo 270 MW. O reator havia entrado em criticalidade às 23:50 do dia 14.07.2000. Angra II encontrava-se em testes e durante essa fase dependia de mais duas autorizações da CNEN, até atingir 100% de sua capacidade. Desde 18 de agosto de 2000 Angra II tinha autorização da CNEN para realizar os testes até a potência de 80%. Em 28.08.2000 atingiu 80% de carga.
Em 26.09.2000 a CNEN autorizou a subida de carga para 100%. Às 14:30  de 28 de setembro com 98% da capacidade, seu gerador produzia 1.350 MW,  potência acima da esperada (1.309 MW). O teste de aumento de potência, que aconteceu em setembro de 2002 demonstrou que Angra II pode atingir uma potência de 1.436 MWe. A central é uma das tábuas de salvação com que o país conta para enfrentar a demanda de energia elétrica no momento em que o governo diz temer o "blackout". Em 17.10.2001 atingiu 1.374 MW.
Até fins de dezembro de 2000 a unidade esteve em pré-operação (try-operation) e já apresentou algumas falhas operacionais, implicando na sua retirada do sistema. Mas com Angra II aumentaram as preocupações quanto ao Plano de Emergência e a destinação dos rejeitos radioativos.
Angra II foi sincronizada no sistema elétrico às 9h 06 min do dia 21 de janeiro de 2001, adiantando-se ao cronograma previsto para o dia 23, para a instalação de um novo transformador, danificado em outubro de 2000. Num horizonte de escassez energética, a contribuição de Angra II foi significativa e deu força à construção da unidade III. Angra II poderá funcionar até 2040, podendo ser estendida até 2060. Construída com tecnologia alemã, Angra II custou cerca de R$ 12 bilhões. Pelos cálculos de especialistas do setor vale R$ 2,5 bilhões. Concorreu como a unidade termonuclear com a mais alta performance mundial no ano de 2001.
Veja Angra II.
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