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Três questões são particularmente críticas em relação a Angra I e Angra II. A primeira é o seu custo astronômico. A segunda é o destino dos rejeitos radioativos resultantes do processo (o chamado "lixo atômico") e finalmente o plano de emergência para acidentes.
O plano de emergência de Angra II é motivo de polêmica. Previa, em caso de acidente, a evacuação da população num raio de 15 km. Mas em 1994 o raio de exclusão foi reduzido para 5 km, por decisão da CNEN. Mais de 15 mil pessoas vivem ao redor das usinas.
Na eventualidade de um acidente, estas pessoas deixariam suas casas para serem abrigadas por tempo indeterminado em colégios localizados no centro de Angra dos Reis.
"Testes mostraram que o nível de radiação não justificaria a retirada de pessoas numa área superior a 5 km", argumenta Luiz Henrique Gonçalves de Morais, superintendente de Apoio Técnico à Operação da ELETRONUCLEAR.
Segundo ele, num raio entre 5 km e 15 km o plano prevê apenas um controle do meio ambiente, checando se o índice de radiação é aceitável.
O Grão-Ducado de Luxemburgo que não tem usinas nucleares e devido a proximidade da Central Nuclear de Cattenom que fica do outro lado da fronteira, na França, adota como raio de exclusão a distância de 25 km (Veja as instruções do Governo de Luxemburgo ou em pdf). Além do mais a contenção de Angra II tem apenas 60 cm, enquanto uma usina similar alemã tem 1,80 m de espessura, o que dá ao critério de reduzir a área de exclusão uma motivação subjetiva.
Para executar o plano, Angra dos Reis dispõe da segunda defesa civil do Estado do Rio. "Há 300 bombeiros em Angra; 64 no Frade, a 5 km da usina; e mais 64 em Mambucaba, a 10 km". Mas críticos, como o físico Luiz Pinguelli Rosa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, questionam a redução do raio de exclusão e a ausência das Forças Armadas nas brigadas de emergência.

Em caso de acidente, a população seria avisada inicialmente por meio de sirenes. A Defesa Civil, responsável pelo plano de evacuação, prevê um crescimento do número de sirenes, mas, apenas quatro são acionadas para avisar toda a região.
No Frade, por exemplo, há áreas nas quais o alarme não seria ouvido. "Essas pessoas seriam avisadas pelas viaturas da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros".
A Rodovia Rio-Santos, BR 101, é um caos no quesito asfaltamento e quando chove as encostas deslizam sobre a estrada, obstruindo a passagem. Tal qual ocorreu de 8 para 09.12.2002 quando uma chuva incessante produziu a morte de mais de 30 pessoas e deslizamentos com interrupção de vias de fuga. Sem falar, que nos trechos que corta áreas povoadas daquele município existem quebra-molas para complicar uma operação de plano de evacuação.

A ELETRONUCLEAR comprometeu-se a investir na melhoria dos acessos, visto que o órgão federal competente ainda não o fez. Sendo assim, sugere-se que ao invés de seguir em direção ao Rio de Janeiro ou para Barra Mansa, siga para o sul em direção ao Estado de São Paulo (Paraty-RJ, Ubatuba e Caraguatatuba-SP). Após Mambucaba, situada a 10 km da usina no sentido sul, a estrada é mais plana e sem tantos contornos, o que facilita a fuga.
Em 26.07.2003 fui até Paraty e a situação da BR 101 é bastante melhor que anos atrás. Salvo os redutores de velocidade (fiscalização eletrônica) que limitam em até 40 km/h (Camorim e Frade), os quebra-molas já se foram e em caso de ser necessário fugir daquela área ninguém está preocupado se dias depois receberá uma multa por excesso de velocidade.
Quem é o responsável pelo Plano de Emergência e quais são as funções dos órgãos envolvidos?
O Plano de Emergência Externo é coordenado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos, com a participação da Defesa Civil Federal. Sua execução é de responsabilidade da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro, que contam com o apoio técnico da Comissão Nacional de Energia Nuclear - CNEN - e da ELETRONUCLEAR, e com o apoio operacional da Defesa Civil de Angra dos Reis - COMDEC/AR, da Prefeitura Municipal de Angra dos Reis e de diversos órgãos estaduais e federais, inclusive as Forças Armadas.
O que fazer em caso de acidente?
A primeira coisa a fazer é seguir as instruções da Defesa Civil, que estarão sendo transmitidas pelas rádios e TVs locais. É importante não entrar em pânico. O plano de emergência é PREVENTIVO, isto é, as medidas de segurança serão recomendadas antes que ocorra qualquer liberação de radiação para o meio ambiente. Caso seja necessário, você será instruido pela Defesa Civil para permanecer abrigado. Se a situação piorar e depender do local e dependendo do local onde você mora, você será retirado temporariamente para um local seguro.
E se houver pânico, como a situação será controlada?
A Defesa Civil acredita que o esclarecimento é o melhor meio de evitar pânico e, hoje, a população já está mais informada sobre o Plano de Emergência. Além disso, no Frade e em Mambucaba estão instalados destacamentos do Corpo de Bombeiros e Postos da Defesa Civil Municipal, prontos para atender a população em quaisquer emergências. Para evitar o disparo acidental das sirenes, como já aconteceu no passado, o sistema agora é acionado manualmente.
Como a população vai ser comunicada sobre uma emergência na Usina?
A população residente nas localidades de Guariba, Piraquara de Fora e Piraquara de Dentro, Frade, Sertãozinho do Frade, Condomínio do Frade, Condomínio do Barlavento e Praia Vermelha será avisada através de sirenes, megafones, alto-falantes e de porta em porta. Ao ouvir as sirenes, as pessoas deverão sintonizar as rádios e TVs locais para receber instruções da Defesa Civil. A população residente na Vila de Praia Brava será avisada por um carro de som da ELETRONUCLEAR, de acordo com o previsto no Plano de Emergência Local (PEL). Nas outras localidades, que ficam mais afastadas da Usina, as pessoas serão avisadas pelas rádios e TVs locais.
Quais são as Medidas de Proteção previstas no Plano?
As principais medidas de proteção da população são:
| Abrigagem | Significa ficar dentro de uma casa, apartamento ou outro local apropriado, com as portas e janelas fechadas e vedadas, e os sistemas de ventilação (ar condicionado, ventilador, exaustor, circulador etc) desligados. No caso de temporal ou na interdição de rodovias devido à queda de barreiras, a medida de proteção mais recomendada é a abrigagem. Além de fornecer proteção inicial, é uma boa alternativa quando a retirada não puder ser feita, pois evita que a população fique exposta à radiação. |
| Evacuação | Significa a retirada planejada de pessoas de determinada área, a fim de evitar ou reduzir a sua exposição à radiação de alta densidade, a curto prazo. |
Por que o Plano de Emergência tem medidas especiais somente para a população residente até 5 km da Usina?
Estudos técnicos demonstram que quanto maior a distância da Usina, menores os níveis de radiação. Por isso, a CNEN estabeleceu que a evacuação preventiva só deve ser realizada nessa área mais próxima. Caso seja necessário, as pessoas residentes em localidades mais distantes - entre 5 e 15 km da Usina - serão orientadas pela Defesa Civil para que fiquem em suas casas ou locais de trabalho.
Qual a população que será retirada e para onde será levada?
O Plano de Emergência prevê a evacuação preventiva da população residente num raio de 5 km em torno da Usina. As pessoas serão conduzidas para abrigos, em locais pré-estabelecidos pela Defesa Civil. De acordo com o Plano de Emergência Externo (PEE), a Defesa Civil realizará a retirada da população de Guariba, Piraquara de Fora e Piraquara de Dentro, Frade, Sertãozinho do Frade, Condomínio do Frade, Condomínio do Barlavento e Praia Vermelha. A retirada da população de Praia Brava é de responsabilidade da própria ELETRONUCLEAR.
Os moradores do Condomínio do Barlavento e da Praia Vermelha serão levados para abrigo localizado na região do Perequê, e os moradores de Piraquara de Fora, Piraquara de Dentro, Guariba e Pingo D'Água serão encaminhados inicialmente para o Corpo de Bombeiros do Frade. Os moradores do Frade, Sertãozinho do Frade, Condomínio do Frade e aqueles que já estiverem no Corpo de Bombeiros serão levados para as escolas na Grande Japuíba.
Se necessário, a população das outras regiões serão retiradas posteriormente, somente dos locais em que técnicos da Comissão Nacional de Energia Nuclear - CNEN determinarem que existe alguma possibilidade de virem a ser afetados.
Qual o tempo previsto para essa retirada?
O tempo previsto para a evacuação das pessoas residentes na Praia Brava, Guariba, Piraquara de Fora e Piraquara de Dentro (ZPE-3) é de 4 (quatro) horas. Para as pessoas residentes no Frade, Sertãozinho do Frade, Condomínio do Frade, Condomínio do Barlavento e Praia Vermelha (ZPE-5), o tempo previsto é também de 4 (quatro) horas, a partir do momento em que for constatado o agravamento da situação de emergência.
Quais os meios de transporte que serão utilizados nesta operação?
As pessoas que não possuem condução própria deverão dirigir-se aos "Pontos de Reunião e Embarque", para tomar os ônibus que as levarão para os abrigos. O plano prevê uma quantidade de ônibus suficientes para retirar toda a população residente num raio de 5 km em torno da Usina Nuclear. Para isso, foram estabelecidos acordos com as empresas particulares, como a Viação Costa Verde, Colitur Transporte Rodoviário, Viação Cidade do Aço, Expresso Mangaratiba e Viação Senhor do Bonfim. Além disso, haverá ônibus cedidos pela ELETRONUCLEAR. A condução própria também poderá ser utilizada. Neste caso, dirija com cuidado, em velocidade moderada, respeitando o Código de Trânsito Brasileiro e as determinações dos policiais. A Polícia Rodoviária e a Polícia do Exército estarão orientando o trânsito na BR-101.
Como devem proceder as pessoas que trabalham ou encontram-se em locais que estão sendo evacuados e que, para retornar às suas casas, precisariam passar nas proximidades da Usina?
Por exemplo, se um morador de Mambucaba ou do Perequê estiver no Frade quando for recomendada a retirada da população daquele local, ele não poderá voltar para Mambucaba diretamente pela BR-101, pois, em caso de acidente, não será permitido passar em frente à Usina Nuclear. Seu retorno só poderá ser feito pela RJ-155 (Angra-Rio Claro), via Dutra, RJ-165 (Cunha-Paraty) e BR-101.
Como serão informadas e removidas as famílias que vivem em locais de difícil acesso, como as ilhas e a Serra da Bocaina?
Todas as informações serão transmitidas pelas rádios e tvs locais. Os moradores destas ilhas serão retirados por embarcações da Marinha. Como a Serra da Bocaina está além do raio de 5 km (fora do ZPE-5), dificilmente haverá necessidade de remover as pessoas que residem nesta região. Se a Comissão Nacional de Energia Nuclear - CNEN determinar que há risco para esta população, a Defesa Civil está equipada com veículos apropriados para ter acesso a qualquer localidade da Serra.
Pode-se prever um acidente?
Os operadores da Usina estão preparados para enfrentar uma situação de emergência. Para obter a licença da Comissão Nacional de Energia Nuclear - CNEN, os operadores passam por um longo período de treinamento em simuladores e são submetidos a testes específicos, onde situações de operação normal e casos de acidente são simulados. Durante a operação, todas as funções críticas da Usina são permanentemente acompanhadas pelos operadores na Sala de Controle. Se o operador verificar que ocorreu uma anormalidade durante a operação, ele tomará as providências necessárias para corrigir a situação, pois a Usina possui inúmeros sistemas de segurança que são acionados conforme o tipo de problema que estiver ocorrendo. Se ainda assim houver indícios de que alguma das barreiras, projetadas para evitar a liberação de produtos radioativos, poderá ser rompida, o operador vai acionar o Plano de Emergência, informando a Comissão Nacional de Energia Nuclear - CNEN, a Prefeitura e a Defesa Civil, para que sejam tomadas as medidas necessárias à proteção da população.
Se acontecer um acidente, como saber se a pessoa está contaminada e o que se deve fazer neste caso?
Para verificar se existe ou não contaminação, a Comissão Nacional de Energia Nuclear - CNEN dispõe de detectores de radiação e equipamentos de monitoração especiais, que serão operados por seus técnicos nos postos de triagem dos abrigos. Se o resultado da monitoração indicar que a pessoa está contaminada, a descontaminação externa será feita através de banhos. Se houver contaminação interna, a pessoa receberá uma medicação especial. Dependendo do grau de contaminação detectado, a pessoa poderá ser internada para descontaminação e tratamento médico.